Muitas empresas ainda não mapeiam como as ameaças climáticas afetam ou afetarão o seu negócio, por conta disso, acabam tendo que tomar medidas urgentes, sem base técnica, sem robustez, sem análise de cenários, custos e prioridades, em decorrência de uma situação ‘inesperada’ que chegou até a sua operação, pegando todos de surpresa. Ou seja, sem um diagnóstico climático completo, que incorpore o risco associado às mudanças climáticas ao planejamento estratégico da empresa, a operação fica suscetível e despreparada e pior, muitas vezes sem caixa, para atuar de forma emergencial.
De acordo com o Fórum Econômico Mundial, por meio do Relatório de Riscos Globais, um estudo feito tendo como base a percepção de empresas, industriais, governo, e líderes acadêmicos, sobre os principais riscos a que o mundo estará sujeito nos próximos 10 anos, revela que 5 dos principais riscos estão associados ao meio ambiente e as mudanças climáticas, são eles:
- Eventos Climáticas Extremos;
- Alterações Críticas nos sistemas da Terra;
- Perda de biodiversidade e colapso dos ecossistemas;
- Escassez de recursos naturais;
- Poluição.
Fato é que, precisamos agir agora e, frente aos riscos que o mundo já está enfrentando e a fim de se adaptar às mudanças climáticas e antecipar os riscos, seguem listadas algumas dicas que as organizações devem seguir:
1 – Conhecer o seu perfil de emissões: Ao elaborar um Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa, a organização consegue conhecer suas emissões diretas e indiretas, estas atreladas à compra de energia e a cadeia de valor. Além de identificar, qual é o gás de efeito estufa mais representativo gerado em seus processos. Inventários precisam ser feitos com rigor técnico a fim de evitar subestimativas ou superestimativas de emissões. Softwares de gestão de emissões podem te ajudar neste processo.
2 – Estabelecer estratégias para descarbonizar a sua atividade e definição de metas de redução de emissões: Após a identificação de seu hotspot de emissões, a empresa deve focar em como mitigar os impactos atrelados à sua operação. Para tanto, a elaboração da curva de custo marginal de abatimento torna-se uma ferramenta estratégica. Além disso, por meio de uma análise mais aprofundada da real possibilidade de redução de emissões, é possível estabelecer metas alinhadas à ciência.
3 – Conhecer os riscos a qual a sua operação está sujeita: Quanto falamos em riscos climáticos, dois pontos devem ser considerados, são eles os Riscos Físicos e os Riscos de Transição, aliados à modelagem de cenários abordando o comportamento de diferentes variáveis climáticas. Quando citamos os Riscos Físicos, estamos falando de um impacto real, que acontece no presente, ou seja, uma enchente que destruiu uma fábrica, operações logísticas interrompidas, um incêndio que destruiu uma plantação, uma redução de produtividade por conta das altas temperaturas, uma crise hídrica que afetou o preço e a oferta de produtos, uma loja ou um centro de distribuição que precisaram ser fechados, enfim, estamos falando de um grande sinistro que impactou atividades econômicas, pessoas, acesso de produtos aos clientes, etc.
Já quando falamos de Risco de Transição, estamos dizendo que existe um custo atrelado a se adaptar para uma economia de baixo carbono, são àqueles:
- Vinculados à mudanças em regulamentações que demandam de uma ação para a empresa continuar sua operação;
- Quando consumidores ficam mais exigentes;
- Grandes marcas passam a fazer uma qualificação ambiental rígida de seus fornecedores;
- Investidores passar a exigir reportes climáticos que incluam os riscos das mudanças climáticas para o negócio, como TCFD, ISSB e Relatórios de Sustentabilidade;
- Quando os seguros ficam mais caros;
- Quando o crédito junto aos bancos ficam mais escassos e difíceis de serem liberados, inclusive por conta dos riscos de inadimplência;
Ou seja, a empresa passa a precisar demonstrar conhecimento em suas próprias vulnerabilidades e se adaptar. As mudanças climáticas precisam fazer parte de ações e análises internas. A empresa que enxerga as mudanças climáticas como externalidade, na verdade está empurrando um problema que já está acontecendo, resta saber se ela vai querer somente reagir quando uma crise chegar ou ter tempo e uma estratégia sólida de adaptação.
4 – Estabelecimento de um plano de ação e adaptação: Quais fornecedores precisarão ser substituídos? Quais matérias-primas ficarão escassas? Quais novos produtos precisam ser estudados e lançados? Será que vou ter que investir em melhorar a estrutura física da minha edificação? Ou pensar em um sistema de refrigeração para o armazenamento de minhas matérias primas? Ou já investir em um seguro que cubra eventos climáticos extremos?
Movimentos concretos englobam uma governança climática efetiva, a qual assumirá que as mudanças climáticas constituem um dos pilares do planejamento estratégico do negócio a qual deve ser revisitada ao menos no planejamento anual do negócio, com o acompanhamento mensal das metas e objetivos traçados. Neste contexto, como vimos, fazem parte a análise de riscos e cenários, reportes transparentes aos stakeholders, o monitoramento da eficiência das estratégias e claro, o diagnóstico preciso e robusto das emissões de gases estufa.
As ações listadas neste texto visam contribuir para a conscientização do papel que as organizações possuem na sociedade, não somente de gerador de emprego e renda, mas também de manutenção da qualidade de vida para as atuais e futuras gerações. Com a adoção das ações visa-se que as empresas possam contornar as crises e moldar um mundo mais sustentável e resiliente, e claro, para hoje estamos falando de fluxo de caixa, de licença para operar, de responsabilidade e risco reputacional.
Vale lembrar que desde 1.900 cientistas já falavam da relação entre aumentar o CO2 da atmosfera com o aumento da temperatura do planeta, que causa graves e já sentidos na pele, eventos climáticos extremos com consequências desastrosas em nível ambiental, social, econômico, financeiro, psicológico….A pergunta é, você vai querer agir com responsabilidade frente a esta nova realidade, se antecipando aos riscos, ou vai atuar somente após eles acontecerem?

