Iniciativa busca captar US$ 25 bilhões para financiar países que protegem suas florestas e contribuir para as metas globais de neutralidade climática.
As florestas tropicais são fundamentais para a estabilidade climática e para a manutenção da qualidade de vida no planeta. Elas retêm o carbono, garantem os ciclos hídricos e abrigam uma imensa biodiversidade, além de comunidades tradicionais que vivem em harmonia com a natureza. Em outras palavras, manter as florestas em pé é essencial para um futuro verdadeiramente sustentável.
Com esse objetivo, o Brasil apresentou uma nova proposta estratégica: o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa que integra o compromisso do país com o Programa REDD+ e com a meta de zerar o desmatamento até 2030, conforme a mais recente NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada).
O TFFF propõe a criação de um fundo global de financiamento destinado a remunerar países que protegem suas florestas tropicais e subtropicais, como Brasil, Colômbia, Congo e nações da Ásia. O objetivo é conter o avanço das mudanças climáticas por meio da conservação florestal.
Na prática, o funcionamento será dividido em etapas. A primeira fase prevê a captação de US$ 25 bilhões, com juros reduzidos. Esses recursos serão reinvestidos em projetos com maior taxa de retorno, e o lucro gerado será distribuído proporcionalmente entre os países participantes, de acordo com a área florestal preservada.
Cada país terá autonomia para aplicar os valores recebidos, e a gestão do fundo ficará sob responsabilidade do Banco Mundial. O montante investido será posteriormente devolvido aos investidores, garantindo o equilíbrio financeiro do programa.
A expectativa é que somente a Amazônia receba cerca de US$ 2 bilhões por ano. Os números reforçam o protagonismo das soluções baseadas na natureza (SBN), que têm potencial de mitigação de até 78% das emissões globais, sendo 60% relacionados diretamente ao desmatamento zero. Em comparação, as soluções tecnológicas representam apenas 22% desse potencial.
Sem as soluções baseadas na natureza, não há caminho para o net zero. Por isso, o TFFF surge como um instrumento essencial na construção de uma economia verde, inclusiva e resiliente.
“A esperança é que esta COP seja a COP da implementação, aquela que vai ouvir e acreditar na ciência.”

